Foi divulgado na tarde de
ontem, pelo jurista Luiz Flávio Gomes, um ranking dos delitos mais praticados
no Brasil no ano de 2011. Na cabeça está o tráfico de entorpecentes, com 23%,
segundo o Departamento Nacional Penitenciário, que realiza anualmente esse tipo
de levantamento.
Não é preciso explicar que o
delito mais praticado no País decorre dos valores movimentados em sua prática e
na facilidade com que os delinquentes voltam às ruas após um breve período nas
prisões.
Basta, por agora, saber que
é um crime muito lucrativo, sob qualquer aspecto. Pois quem usa, devido à
dependência, fará qualquer coisa para manter o vício; e quem vende, fará o
mesmo para atender a crescente demanda.
No meio dessa gangorra
comercial estão abandonadas pelo Estado às milhares de famílias que enfrentam
uma realidade de violência e injustiça, de morte e destruição dos valores sociais.
O crack já bate às nossas
portas havia, pelo menos, uma década, mas, somente agora, as autoridades
perceberam a dimensão do problema e buscam soluções milagrosas para
solucioná-lo. E não faltam aqueles que apenas querem aparecer, pois já se
avizinham as eleições parlamentares.
A raiz desse dilema está na
década de 1990 quando houve uma drástica mudança quanto à política para o
combate às drogas na América Latina. Naquela época o combate se dava,
principalmente, nas fronteiras com países produtores. Ou seja, o tráfico era
duramente combatido antes de entrar no território brasileiro.
Essa política de combate era
financiada por governos estrangeiros que, empregavam seu pessoal e tecnologia visando
à apreensão do produto, pois, com isso, a quantidade de entorpecente que
chegaria às ruas naqueles países seria a mínima.
Aqueles governos trabalhavam
em cooperação com países como o Brasil, Argentina e Uruguai; treinavam o
pessoal e forneciam informações de inteligência e o sucesso no combate ao
tráfico de entorpecentes era promissor. No entanto, como adiantei, a politica
mudou no final daquela mesma década. Desfez-se a cooperação internacional para
“fechar” a fronteira dos Países produtores de insumos usados no fabrico de
entorpecentes.
De uma hora para outra o
cerco foi afrouxado e as quadrilhas rapidamente se organizaram para desbravar
novos mercados isso porque, ao mesmo tempo, deslocou-se o aparato cooperativo
para outro local. Basta verificar o volume de apreensões que passaram a ocorrer
já nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, mas sempre
divulgado pela imprensa brasileira, que a rota da droga iniciou-se em Estados
fronteiriços com Países que produzem aqueles insumos.
Num primeiro olhar sobre o
problema, é claro, podem surgir novas teorias sobre esses fatos, porém, uma vez
que o aparato estatal de combate ao tráfico está, principalmente, nos portos e
aeroportos internacionais do litoral atlântico, fica evidente onde acabarão
sendo comercializados aqueles produtos. Ou seja, a droga entra, mas não
consegue sair do território brasileiro.
Da mesma forma podemos
constatar que a introdução de entorpecentes cada vez mais destrutivos e
viciantes ocorre primeiro nesses centros litorâneos para, só então,
interiorizar-se. O problema é mais grave quando ponderamos sobre a quantia de
drogas apreendidas chegando aos grandes centros brasileiros, notadamente em São
Paulo e Rio de Janeiro e o que se supõe circular pelo território brasileiro.
A partir da compreensão de
que não há meios de “passar” esse produto adiante, e o afã de auferir lucro, as
organizações criminosas “despejam” enormes quantias de droga internamente, viciando
nossos filhos e filhas, arregimentando um exército de “vapores” e “sentinelas”,
cuja função é manter o “comércio aberto”.
Agora o Congresso Nacional quer
fazer crer que o pequeno traficante, cuja definição legal ainda não existe,
pois traficante é traficante, não oferece maiores riscos para a sociedade. E
chegaram a essa conclusão, porque supostamente “aqueles miseráveis somente estão
nessa “vida” porque não dispõem de recursos econômicos ou educacionais”, apesar
dos incontáveis benefícios bancados por nossos impostos. Os ilustres
representantes do povo querem, por assim dizer, colocar o maior número de
presos por tráfico de drogas, em especial as “mulas”, nas ruas.
A percepção de que alguma
coisa não bate, salta aos olhos. Não é possível crer que haja espaço para
pensamento não repressor para combater esse delito. E não há como pensar em
outra solução, senão a de investir maciçamente em educação.
Pelas ruas de nossas cidades
há um contingente de pessoas perambulando sem rumo; há um contingente de crianças
fora da escola; há um contingente de pessoas fazendo uso de drogas que antes
não eram disponíveis e que agora estão sendo consumidas a céu aberto e em plena
luz do dia nas praças e logradouros públicos.
Não há espaço para aceitar
que um batalhão de “mulas” sejam postos em liberdade sem a devida recuperação.
Ou que esta, ao menos, tenha sido eficientemente tentada.
Não há lógica no combate ao
tráfico apenas nas fronteiras de saída de nosso País que, por certo, provoca a reação
de “despejar” aquele entorpecente no mercado interno e que antes sequer chegava
entrar no território, ao menos, nessa quantia.
O mesmo Departamento
Penitenciário Nacional informou que o número de mulheres presas por tráfico nos
presídios brasileiros era de 25000 no ano de 2008; número que só faz crescer, supostamente
porque seriam elas mais vulneráveis ao aliciador.
Não que as mulheres sejam
susceptíveis mentalmente, mas porque experimentam o odioso preconceito que as
força trabalhar mais para perceberem o mesmo que o público masculino. Essa
triste realidade não é muito diferente em outros países hoje em dia, porém
nunca se tentou concretizar uma política pública de recuperação efetiva dessas
vitimas sociais.
Fonte: http://www.oestadoms.com.br/
Como citar este texto: NBR 6023:2002 ABNT
RODRIGUES JUNIOR, Luiz Carlos Saldanha. Ranking dos crimes no Brasil. Blogger. Disponível em: <http://artigosprofessorsaldanhajr.blogspot.com/2012/03/consideracoes-sobre-o-ranking-de-crimes.html> Acesso em 13/03/2012.
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