É inevitável, mas todo aquele que se aventura nos
concursos públicos encontra dificuldade para conseguir a aprovação. Uma
aprovação que somente é conquistada a custa de muito sacrifício, suor e litros
de café.
Normalmente o candidato inicia sua saga logo nos
primeiros anos da vida adulta, muitas vezes premido pela necessidade de
manter-se e a sua família. Nestes casos, a aprovação trás consigo uma enorme
expectativa daqueles que dependem do candidato.
Não é raro encontrarmos os mesmos candidatos em
vários concursos, alguns até para o nível escolar abaixo da do candidato, que
espera ser aprovado para garantir algum rendimento e, com isto, aliviar o
stress familiar, justamente para poder prosseguir em paz rumo ao seu sonho.
Outros, infelizmente, nadam contra a maré e acabam
se acomodando com o que já conquistaram, ou seja, perdem o animo de passar
horas lendo sobre o ICMS ou sobre as velocidades do direito penal, estes temas
recorrentes em concursos jurídicos de alto nível.
O sacrifício vale a pena, dizem os “concurseiros”,
alguns deles com anos de estrada e muita história pra contar. História daqueles
que se aventuram pelos rincões brasileiros em busca de um concurso dos sonhos. E
ainda há aqueles que viajam de Norte a Sul do Brasil para prestar vários
concursos. Na sua maioria começam pelo Acre, descem até Rondônia, depois rumam
para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Espirito Santo, Rio
de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e terminaram lá no Rio Grande do
Sul. Em outras palavras, lá se vão meses de viagem e milhares de quilômetros de
estradas ruins e pouco conforto nos hotéis de categoria turística.
Não é preciso que se diga que, pela inexperiência e
falta de preparo, quase que 100% desses aventureiros não conseguirão a
aprovação, coisa que só se concretiza muitos ou alguns anos depois, mas o que
importa é a “bagagem” que adquirem.
Analisando a vida dos concurseiros, hoje facilitada
pelos “cursinhos preparatórios”, fica evidente que o foco não é mais fazer
concursos, mas aprender a matéria. E, aprender a matéria significa que o
candidato deve se preparar adequadamente para as exigências da banca.
As bancas de concurso não estão preocupadas com o
desempenho dos candidatos após o seu ingresso na carreira, ou seja, pouco
importa se o candidato lê e domina os clássicos do Direito Penal. Quer ter
certeza de que será aprovado o candidato que souber responder melhor aos seus
questionamentos, ainda que se resuma verificar a memória quanto aos textos de
lei.
Impiedosamente as bancas de concurso exigem a
memorização da legislação e súmulas dos tribunais, e isto é um revés para o
ensino jurídico brasileiro, uma vez que não se pode ensinar engessando a
criatividade ou limitando o alcance das discussões à letra fria das leis. Ademais,
não é adequado que nossos jovens juízes, promotores e procuradores sejam exatamente
aqueles que só foram aprovados porque dominavam a arte de fazer provas. Ou
aqueles que passaram, porque tinham decorado as novas súmulas dos tribunais
superiores.
É preciso mais!
É preciso que os aprovados sejam pessoas capazes de
raciocinar sobre os problemas e encontrar soluções, ainda que a lei requerida seja
de difícil interpretação. E, porque nós operadores do direito nos esmeramos
muito em nossos arrazoados, dedicamos longas horas na pesquisa sobre a causa,
sobre a jurisprudência e doutrina antes de apresenta-la ao ilustrado julgador
que, confiando na memória, descarta a doutrina reflexiva e a ponderação, sob o
argumento de que vale tudo para ser Juiz. Por isto, podemos afiançar que o
Direito Penal é a parte do Direito que se mostra mais sofrível para os novos
magistrados.
É que suas carreiras não ultrapassam os poucos anos
exigidos para poderem prestar o concurso. Na maioria das vezes, sequer tiveram
um processo criminal em suas mãos. Júri? Nem pela televisão! E, porque não
falar, a maioria deles acredita que ser juiz é questão de sorte, apenas.
O fato sorte não deveria ser levado em conta e nem
deveria ser enaltecido em se tratando de concurso. A aprovação deveria ser a
consequência do amadurecimento intelectual e da saudável disputa de
conhecimentos entre guerreiros igualmente preparados e armados com as mesmas
ferramentas.
E que vença o melhor!
Como citar este texto: NBR 6023:2002 ABNT
RODRIGUES JUNIOR, Luiz Carlos Saldanha. O concurso público. Blogger. Disponível em: <http://artigosprofessorsaldanhajr.blogspot.com.br/2012/09/o-concurso-publico.html> Acesso em 17/09/2012.
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